segunda-feira, 15 de junho de 2009

Então, e a Estética?

Os meus caros alunos realizaram um trabalho sobre o Gosto.

O que desejei foi motivá-los á descoberta de reflexões complexas do campo da Estética, às quais o programador não pode ser alheio.

Há todo um campo semântico a dominar - Para lá do Gosto, a própria Arte, o Génio, a Imaginação, o Sentimento, o Não Sei Quê, o Senso Comum... etc, etc...

Há toda uma aprendizagem a fazer acerca da História da Arte e da Estética que, para alguns alunos já será familiar, para outros será uma aprendizagem necessária.

Há abundante literatura sobre História de Arte, pelo que não vou aqui aconselhar nenhuma obra em especial.

Já relativamente à Estética e havendo também muito por onde estudar, aconselho que tenham à mão o Dicionário de Estética com direcção de Gianni Carchia e Paolo D'Angelo, das Edições 70, de 2003.

Aconselho que percorram as livrarias, descubram livros e revistas, cruzem campos de saber e de informação. É um exercício estimulante, divertido e criativo. Inspirador.

Criem as vossas caixas de informação regular e vão preenchendo-as com informação e com sínteses. Teatro / Dança / Música / Fotografia / Artes Visuais / Novo Circo / Literatura, etc... vão recheando-as regularmente a partir das vossas fontes regulares
Os Festivais a, b, c...
As Bienais a, b, c,
As revistas e os sites, a,b,c
Os Teatros, os Museus, as Livrarias, a,b,c...

Descubram cidades e espaços culturais que vos possam ser referenciais - comecem a trabalhar a Vossa identidade, a Vossa linguagem e o Vosso pensamento - e olhem para a cidade onde são chamados a programar com olhos de ver - descubram as Rotinas dessa cidade e vejam como podem criar rupturas nessas rotinas - de modo a que as cidades sejam pólos de intensa vivência cosmopolita onde a inovação e a tradição se respeitem e se valorizem, onde a criatividade seja um valor a estimular, a diferença uma riqueza a ponderar, a memória um património impossível de ocultar descomplexadamente. Não há crescimento sem memória, sem diferenças ou divergências e sem criatividade.

E nas cidades grandes, onde acontecem muitas coisas, ainda assim serão capazes de descobrir muitas pessoas que não fruem dessas frenéticas ofertas artísticas e culturais - provavelmente a maioria. Porque será?

E se puderem metam-se a caminho, vão! Visitem cidades, descubram cidades, portuguesas e estrangeiras. Vejam espectáculos. Conversem com pessoas. É fundamental investirem alguns anos a arrumar a vossa vida em função da programação cultural - por prazer ou por necessidade - porque demora o seu tempo... exige muita dedicação e atenção.
Não se faz administrativamente. Nem descomprometidamente. É um projecto político.

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