Aulas de Animação Cultural 2008-2009
Segundo Ciclo
Mestrado de Práticas Culturais Para Municípios
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Apresentação e Boas Vindas
Bem-vindos às aulas de animação cultural, no âmbito do Mestrado de Práticas Culturais para Municípios.
Neste ciclo estamos convictos de que a grande maioria dos alunos frequentaram as aulas de Programação Cultural do ciclo anterior, disciplina de carácter obrigatório.
No entanto, haverá alguns alunos provenientes de outros mestrados e que terão optado por esta disciplina pelo que deveremos retornar a algumas das questões abordadas no ciclo passado de modo a enquadrar os novos colegas nas problemáticas da Cultura e das políticas culturais.
A todos, novos e antigos, as boas vindas ao mundo da Animação Cultural.
Manual de Estudo
Elegemos como manual de apoio para esta disciplina o livro de Jaume Trilla «Animação Sociocultural – teorias, programas e âmbitos» editado pelo Instituto Piaget e que, reunindo capítulos assinados por diversos autores, assegura uma visão global destas matérias na sociedade contemporânea. Reproduzindo perspectivas complementares umas das outras, quer por assegurarem pensamento convergente, quer por permitirem descobrir perspectivas divergentes, o manual aconselhado é um bom livro de base que não substitui a presença nas aulas, factor forte na ponderação da classificação final.
A bibliografia aconselhada vai ser comunicada ao longo das aulas.
Metodologia participativa
O seminário de Animação Cultural permite-nos um trabalho prático, apelando-se bastante para a participação dos discentes, estimulando-se o seu sentido crítico e a sua criatividade.
Lição 1
Andamento 1.
Visionamento crítico do vídeo «O Bando em Querença»
Relatório do visionamento numa perspectiva de Animação Cultural.
Andamento 2.
Enquadramento
Conceito de Comunidade.
Tipos ou classes de cultura.
Público e Comunidade.
Discussões
O «reconhecimento» e o «não-reconhecimento» na legitimação da cultura.
As contralegitimidades (expressão de Pierre Bourdieu, 1983) populares.
A questão da assinatura da obra de arte.
A questão da possibilidade do «não reconhecimento» por parte de certos grupos sociais da definição legítima de cultura, abrindo-se a reflexão a outros universos de referências, eventualmente estruturados e, por isso, legitimadores é, actualmente, extremamente pertinente. Consequência de uma multiplicação de géneros artísticos que se relativizam uns em relação aos outros, podendo-se questionar cada vez mais sobre o que é, afinal, a Cultura. Quando a economia e a cultura se unem cada vez mais, quando as populações na sua estruturação social têm gostos cada vez mais ecléticos, onde no mundo ocidental e mesmo na realidade paradoxal que é Portugal os públicos são mais cosmopolitas, havendo também mais educação e uma maior esteticização do quotidiano, é de pensar sobre a questão da cultura e da animação sociocultural, hoje. E como a animação sociocultural pode ter (e deve ter) um papel de mediação entre a arte, os artistas, as pessoas e as suas culturas estruturadas face à cultura oficial. E ainda a sua função no âmbito da educação informal, de extrema importância na construção de uma democracia desejavelmente mais participativa onde em cada sociedade ocidental mas também de outras partes do mundo, encontramos comunidades cada vez mais interculturais, fruto de uma globalização em que território, etnia e cultura se dissociam de modo sistemático.
A globalização. A perda de soberania do Ocidente. As questões da globalização no contexto do território, da etnia e da cultura, conducentes a outras histórias do mundo e a outras formas de representar o «outro». O centro e a periferia alteram as tradicionais regras do jogo. Diversos centros artísticos, cada um deles com possibilidade de diversos públicos, capazes de se afirmarem fora do controlo do centro, abrindo portas a outras propostas artísticas, numa aparente liberdade proporcionada por uma aparente mobilidade virtual. A mobilidade virtual não se substitui, na verdade, à mobilidade real – este novo capital da mobilidade real é fundamental na futura estruturação de relações sociais – pois há os que realmente vão e os que realmente não vão. E há-de se ir não só a territórios mas também «conviver» com outros modos de vida, outras histórias, dominar outras linguagens…na prática, por exemplo, a euforia pelos telemóveis não se reflecte no combate à pobreza – não é por ter telemóvel ou uma televisão digital conectada à Zon, que se vive melhor ou se combate a pobreza e as desigualdades sociais e se fica «on»!
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
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